quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Manifestação da IECLB referente ao Ensino Religioso

"A volta a um Ensino Religioso Confessional, como previsto no Acordo Brasil–Vaticano, é um retrocesso e se coloca na contramão da legislação concernente nas escolas públicas. Tampouco faz jus a um salutar processo de socialização e de capacitação para a cidadania que se dão no âmbito escolar", escreve o pastor presidente da IECLB, Walter Altmann, em documento dirigido a toda a sociedade brasileira.
  O Ensino Religioso constitui-se em espaço de grande riqueza para a reflexão e o exercício de uma nova consciência. "Dessa forma, permite o conhecimento do fenômeno religioso, o qual se traduz em abertura e na aceitação do outro. O conhecimento religioso é patrimônio da cultura humana e, por isso, é parte integrante na formação cultural e cidadã das crianças e dos jovens de todas as escolas do nosso país", afirma o pastor presidente.


Ao finalizar o documento, Altmann conclama a todas as pessoas responsáveis pela educação "a se empenharem em favor de uma proposta abrangente e inclusiva para o currículo".


Segue em anexo o documento na íntegra. Também estará disponível no Portal Luteranos.


Susanne Buchweitz
Jornalista - Assessora de Imprensa da Presidência da IECLB

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O lugar da escola na educação


A escola não é mais (e nunca foi) o único lugar em que a criança, o jovem e o adulto aprendem.
Aprende-se em casa, no clube, na igreja, no shopping, no supermercado, na rua, no bar, no ônibus, no escritório, no avião. Aprende-se também na sala de aula da escola.
Aprende-se caminhando, voando, viajando, velejando. Aprende-se também na sala de aula.
Aprende-se no campo, na praia, no rio, na mata, no sítio, na fazenda. Aprende-se também no Laboratório de Ciências da escola.
Aprende-se vendo TV, lendo estórias em quadrinhos, jornais, revistas. Aprende-se também lendo livros indicados pelo professor na escola.
Aprende-se com o pai, com o tio, com o irmão, com o amigo, com o avô, com o colega. Aprende-se também com o professor na escola.
Aprende-se com o sofisticado programa de computador. Também com o velho e mal falado quadro-verde e com o giz do professor na mais remota escola.
Aprende-se com o professor virtual oferecido pela internet. Também com o professor real existente na escola.
Aprende-se em muitos lugares, de muitas maneiras, com muitos interlocutores, também na escola, na interação com o professor.
Diante de tantas alternativas de aprendizagem, fica a pergunta: O que ainda justifica a existência da escola?
Eis a resposta: A escola, com sua história, com seu caráter, com sua experiência, com sua especificidade, com seu professor, a escola é ainda a única instituição social e cultural em condições de apoiar o aluno na organização e na sistematização das informações colhidas de modos diversos, em oportunidades diferentes. É ainda o único instrumento disponível na sociedade capaz de ajudar a criança, o jovem e o adulto a atribuírem sentido a tudo aquilo que imaginaram ter aprendido antes, de outras maneiras.
Assim, pode-se afirmar, sem medo de errar, que se aprende sempre, enquanto se estiver vivo, enquanto se estiver em condições de dialogar, de permutar, de compartilhar. Mas só se consegue articular sentido para aquilo que supostamente se aprende quando se pode dispor da mediação oportunizada pela única instituição hoje efetivamente preparada para essa tarefa, que é a escola.

Prof. Belmiro Meine
Diretor do C.E.M. Pastor Dohms
Porto Alegre / RS